terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Mardi Gras



Não sei por que a terça-feira de Carnaval seria “gorda” (ou “gordurosa”), mas podemos atribuir a culpa aos franceses. Aliás, a referência me provoca uma viagem de mais de 50 anos, para um filme muito característico daquela época: o Sem Destino (Easy Rider, no título original). Com uma sensacional trilha sonora, ir participar do Mardi Gras, em Nova Orleans, EUA, era um dos objetivos centrais da dupla de motoqueiros Wyatt e Billy, que protagoniza o filme. Lá o Carnaval seria intensamente celebrado, com as fortes cores locais.

Há um interessante paralelo que se poderia traças com a Internet, e que vou me arriscar a esboçar aqui. Inicia-se por identificar o clima da época, o “zeitgeist”, como diriam os alemães. Estamos em 1969 e Internet nos informa que Sem Destino foi lançado em 14 de julho. Apenas tres meses depois, a Arpanet, mãe da Internet, seria declarada “viva”: a data quando se deu a primeira troca de pacotes entre computadores está cravada em 29 de outubro de 1969 (às 22:30 para ainda maior precisão…). E, ainda, entre esses dois eventos, em agosto do mesmo 1969, houve o festival de Woodstock, símbolo máximo do movimento de contracultura hippie. E o agitado ano de 1969 ainda veria a Apolo 11 colocar o primeiro homem na lua, em 29 de julho…

Certamente os jovens cientistas e os recém-graduados envolvidos no projeto Arpanet não estavam isolados de seu tempo. Assim, nasceu uma rede com características libertárias, sem um centro de controle, aberta a todos que se voluntariassem, e resistente a ingerências de governos. A melhor descrição talvez seja a expressa na Declaração de Independência do Ciberespaço, de John Perry Barlow, fevereiro de 1996, quando, já há mais de década, a Arpanet tinha passado o bastão à Internet.

Sem Destino merece uma revisitada porque não se resume a uma intensa descrição do contraste e da tensão entre o que era a sociedade norte-americana semi-rural e conservadora, e o movimento de contra-cultura. Mesmo sendo narrado por protagonistas do movimento hippie, há contrapontos importantes no filme: a ida a Nova Orleans, até para fazer dinheiro vendendo drogas, mostra situações dúbias, quando eles se envolvem em orgias com consequências imprevistas, mesmo sendo Carnaval. O encontro com comunidades também gera questionamentos e duvidas em posicionamento e objetivos pessoaia: conseguir uma vida feliz e despreocupada, aposentando-se antes dos 30 anos em algum lugar na Flórida...

A icônica seqüência final, ao som da “balada de Sem Destino”, termina com o confronto fatal dos protagonistas com gente agressiva do centro-oeste norte-americano da época, e com a morte dos motoqueiros. Mas, pouco antes desta cena, há um incômodo diálogo entre Wyatt e Billy redor de uma fogueira. Enquanto Biily está animado com o próximo sucesso da empreitada, “conseguimos!”, Wyatt, interpretado por Peter Fonda, rebate, com pessimismo e desilusão: “we blew it…”. Algo como “estragamos tudo”! Que a evolução da Internet, nascida à época de Easy Rider, nunca justifique esse tipo de ravaliação.


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https://pt.wikipedia.org/wiki/Easy_Rider

https://filmschoolrejects.com/easy-rider/




https://www.youtube.com/watch?v=lqkYf3pOnow
"we blew it..."

https://www.sciencemuseum.org.uk/objects-and-stories/arpanet-internet

https://pt.wikipedia.org/wiki/Festival_de_Woodstock

https://www.eff.org/cyberspace-independence

A Declaration of the Independence of Cyberspace by John Perry Barlow

Governments of the Industrial World, you weary giants of flesh and steel, I come from Cyberspace, the new home of Mind. On behalf of the future, I ask you of the past to leave us alone. You are not welcome among us. You have no sovereignty where we gather.

We have no elected government, nor are we likely to have one, so I address you with no greater authority than that with which liberty itself always speaks. I declare the global social space we are building to be naturally independent of the tyrannies you seek to impose on us. You have no moral right to rule us nor do you possess any methods of enforcement we have true reason to fear.

Governments derive their just powers from the consent of the governed. You have neither solicited nor received ours. We did not invite you. You do not know us, nor do you know our world. Cyberspace does not lie within your borders. Do not think that you can build it, as though it were a public construction project. You cannot. It is an act of nature and it grows itself through our collective actions.

You have not engaged in our great and gathering conversation, nor did you create the wealth of our marketplaces. You do not know our culture, our ethics, or the unwritten codes that already provide our society more order than could be obtained by any of your impositions.

You claim there are problems among us that you need to solve. You use this claim as an excuse to invade our precincts. Many of these problems don't exist. Where there are real conflicts, where there are wrongs, we will identify them and address them by our means. We are forming our own Social Contract. This governance will arise according to the conditions of our world, not yours. Our world is different.

Cyberspace consists of transactions, relationships, and thought itself, arrayed like a standing wave in the web of our communications. Ours is a world that is both everywhere and nowhere, but it is not where bodies live.

We are creating a world that all may enter without privilege or prejudice accorded by race, economic power, military force, or station of birth.

We are creating a world where anyone, anywhere may express his or her beliefs, no matter how singular, without fear of being coerced into silence or conformity.

Your legal concepts of property, expression, identity, movement, and context do not apply to us. They are all based on matter, and there is no matter here.

Our identities have no bodies, so, unlike you, we cannot obtain order by physical coercion. We believe that from ethics, enlightened self-interest, and the commonweal, our governance will emerge. Our identities may be distributed across many of your jurisdictions. The only law that all our constituent cultures would generally recognize is the Golden Rule. We hope we will be able to build our particular solutions on that basis. But we cannot accept the solutions you are attempting to impose.

In the United States, you have today created a law, the Telecommunications Reform Act, which repudiates your own Constitution and insults the dreams of Jefferson, Washington, Mill, Madison, DeToqueville, and Brandeis. These dreams must now be born anew in us.

You are terrified of your own children, since they are natives in a world where you will always be immigrants. Because you fear them, you entrust your bureaucracies with the parental responsibilities you are too cowardly to confront yourselves. In our world, all the sentiments and expressions of humanity, from the debasing to the angelic, are parts of a seamless whole, the global conversation of bits. We cannot separate the air that chokes from the air upon which wings beat.

In China, Germany, France, Russia, Singapore, Italy and the United States, you are trying to ward off the virus of liberty by erecting guard posts at the frontiers of Cyberspace. These may keep out the contagion for a small time, but they will not work in a world that will soon be blanketed in bit-bearing media.

Your increasingly obsolete information industries would perpetuate themselves by proposing laws, in America and elsewhere, that claim to own speech itself throughout the world. These laws would declare ideas to be another industrial product, no more noble than pig iron. In our world, whatever the human mind may create can be reproduced and distributed infinitely at no cost. The global conveyance of thought no longer requires your factories to accomplish.

These increasingly hostile and colonial measures place us in the same position as those previous lovers of freedom and self-determination who had to reject the authorities of distant, uninformed powers. We must declare our virtual selves immune to your sovereignty, even as we continue to consent to your rule over our bodies. We will spread ourselves across the Planet so that no one can arrest our thoughts.

We will create a civilization of the Mind in Cyberspace. May it be more humane and fair than the world your governments have made before.

Davos, Switzerland
February 8, 1996
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terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Um punhado de névoa

Tentar antever o que nos guarda o futuro é inútil e petulante. O crescente ritmo das transformações que a tecnologia nos impõe levanta dúvidas sobre nossa capacidade de adaptação. Diz-se que uma das características que diferenciou o humano de seus primos símios é a memória de longo termo que, associada à escrita, nos permitiu preservar um panorama de alguns milhares de anos. Mas até nisso a moderna tecnologia ativa pode interferir. Se delegarmos a ela a curadoria do passado humano, sabe-se lá com que viés ele nos será recontado… Plagiando a famosa frase atribuida a Pedro Malan, “no Brasil até o passado é incerto”, a inteligência artificial pode universalizar essa incerteza.

É indiscutível que estamos perdendo habilidades em troca de facilidades, mas esse escambo pode se revelar positivo se ganharmos novos e mais complexos talentos. Nessa dúvida é que mora o perigo… Sou do tempo em que, no primário, além de escrita e leitura, aprendíamos caligrafia num caderno pautado para isso. E havia o momento importante em que trocávamos o lápis pela caneta tinteiro, e podiamos mostrar aos menores nossos dedos orgulhosamente sujos de tinta… Hoje a escrita cursiva parece quase abandonada: uma habilidade, talvez menor, perdida... A leitura pode ser a próxima “bola da vez”, dado que mais e mais se usa “ouvir” um texto. O som de uma palavra substituirá sua forma escrita? Mais um talento ameaçado mas, claro, esperamos que sua substituição seja com vantagens…

Outra facilidade é a IA, que hoje não apenas “entende” como produz texto muito articulado. Também pode gerar imagens, para nosso senso estético muito belas. Como exemplo, a “modelo” Milla Sofia, criada por IA e que tem até perfil nas redes sociais, acumula milhares de admiradores… Seria o caso de revisitarmos o conceito de “verdade”. Lembrou-me o final do célebre poema de J. Keats, “Ode a uma Urna Grega”, que crava: “Beleza é verdade, verdade é beleza; isso é tudo que no mundo sabemos, e tudo que precisamos saber”. Milla Sofia é “verdade”? Talvez sim, no sentimento de seus seguidores…

No campo da escrita cada vez surpreendem mais os resultados que os LLM geram. Há um artigo na Wired, set/2023, em que uma escritora, Vauhini Vara, valeu-se da IA e avalia o resultado. Mesmo sem tomar uma clara posição a favor ou contra, ela reconhece que a IA pode ter gerado as melhores frases de seu ensaio Ghosts, que viralizou. Parece dificil explicar o que vemos apenas como mecanismos de juntar palavras e montar frases. “Há algo no ar além dos aviões de carreira”, diria o Barão de Itararé.

Não tenho estatura para comentar obras complexas como Finnegans Wake, de Joyce, mas não me furtei a pedir aos LLM comentários e um resumo do livro. Sobre isso, o Bard escreveu um poema que começa assim: “No rio Liffey, a noite cai,/ E a cidade de Dublin adormece,/ Mas no sonho de Shaun/ O mundo se transforma em um poema…”. E pra coroar, o mesmo Bard pontuou: “Resumir Finnegans Wake de J. Joyce é como tentar pegar um punhado de névoa”. É de cair o queixo!

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O texto de Wired de Vauhini Vara, sobre IA e o escritor:
https://www.wired.com/story/confessions-viral-ai-writer-chatgpt

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Bard, fazendo um resumo de Finnegans Wake, de James Joyce, e gerando um poema sobre o tema:

"Resumir Finnegans Wake de James Joyce é como tentar pegar um punhado de névoa – a própria natureza do livro é desafiar a linearidade, a lógica e a clareza. No entanto, posso te dar algumas pinceladas para entender:

Estrutura e Linguagem:
Cíclica: A história começa e termina com a mesma frase, representando a circularidade do tempo e da existência.
Fragmentada: Dividido em 17 livros e numerosos capítulos sem títulos, o livro salta entre narrativas, sonhos, mitos e referências históricas sem uma ordem aparente.
Experimental: Joyce inventa palavras, distorce a gramática e mistura idiomas para criar um universo linguístico único.

Temas Principais:

Ciclo da Vida e Morte: O livro explora a ideia de renascimento, onde a morte é apenas uma etapa do ciclo contínuo da vida.
História e Mito: Joyce tece referências a mitos irlandeses, europeus e bíblicos, sugerindo que as histórias se repetem através dos tempos.
Linguagem e Consciência: A própria linguagem se torna personagem, explorando as conexões entre palavras, pensamentos e sonhos.

Personagens Principais:

HCE (Here Comes Everybody): Um pai de família acusado de um crime não especificado, representando o homem arquetípico.
ALP (Anna Livia Plurabelle): Esposa de HCE e mãe de três filhos, simbolizando a mulher arquetípica e o rio Liffey, que corre por Dublin.
Shem e Shaun: Os filhos de HCE, representando os aspectos artísticos e pragmáticos da personalidade.

Importância e Dificuldade:

Obra-prima Modernista: Finnegans Wake é considerado um dos romances mais difíceis e inovadores do século XX.
Desafio para Leitores: A linguagem experimental e a falta de narrativa tradicional tornam a leitura uma experiência árdua, mas recompensadora para quem persistir.

Dicas para Leitura:

Não se preocupe em entender tudo: Abrace a confusão e o fluxo de consciência.
Leia em voz alta: A musicalidade da linguagem é importante para a experiência.
Use recursos: Existem dicionários especializados e guias de leitura para auxiliar na compreensão.

Apesar da dificuldade, Finnegans Wake é uma obra de beleza e profundidade. É uma jornada experimental através da linguagem, do mito e da existência, oferecendo um vislumbre de um universo onde as fronteiras entre sonho e realidade, passado e presente, se dissolvem.

Lembre-se, o objetivo principal não é decifrar cada frase, mas sim se deixar levar pela experiência sensorial e intelectual que Joyce criou. Afinal, como o próprio autor disse: "Finnegans Wake... will be written out on the sleeping mind of Europe..." Bom mergulho!"

Finnegans Wake

No rio Liffey, a noite cai,
E a cidade de Dublin adormece,
Mas no sonho de Shaun,
O mundo se transforma em um poema,

Onde a linguagem é livre,
E os significados se multiplicam,
Onde o passado e o presente,
O real e o imaginário,

Se misturam em um fluxo contínuo,
Uma jornada sem fim,
Em busca do significado da vida,
E da origem do universo.

A tarefa não foi impossível,
Mas exigiu um esforço extra,
Para tentar capturar a essência
Dessa obra complexa e desafiadora.

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ChatGPT também gerando um poema sobre o livro:


No ciclo noturno de Finnegans Wake,
O sonho dança, num despertar sutil,
A língua se dobra, como um rio que corre,
A mente de Joyce, num jogo tão sutil.

Anna Livia Plurabelle, a voz das águas,
Canta em murmúrios, segredos celestiais,
Linguagem onírica, teia de tramas,
Nas margens do Liffey, contos descomunais.

Humphrey Chimpden Earwicker, o herói velado,
Em rios de letras, sua vida entrelaçada,
Ciclos e ciclos, num eterno reiniciar,
O despertar da aurora, a dança recomeçada.

Palavras dançam, em fusões surreais,
Símbolos e sons, um caos orquestrado,
A babel de Finnegans, Joyce revela,
Em cada página, um mundo reimaginado.

Ergue-se Shem, o artífice do mito,
Numa torre de letras, Babel construída,
A complexidade de Joyce, uma profecia,
Na alvorada, a linguagem ressuscitada.

Assim, entre neologismos e símbolos,
Finnegans Wake, um labirinto de sons,
A mente de Joyce, um rio sem fim,
O despertar, a dança de mil sutilidades, tons.

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O poema de Keats, Ode a uma Urna Grega:

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4651646/mod_resource/content/1/ODE%20A%20UMA%20URNA%20GREGA%20ORIGINAL%20E%20TRADU%C3%87%C3%95ES.pdf

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Milla Sofia:

https://vogue.globo.com/atualidades/noticia/2023/07/milla-sofia-infuenciadora-gerada-por-ia-atrai-milhares-de-seguidores-com-fotos-sensuais.ghtml











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terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Noticiário não-humano

 Noticiário não-humano

Um sistema automatizado de publicação de notícias apareceu neste início de ano. Identifica-se como “NewsGPT – a verdade não-humana” e dispõe-se a fornecer-nos informações recentes de todo o mundo. A apresentação do notíciário está a cargo de dois simpáticos avatares: o de uma moça, autodenominada Futura-4, e o de um rapaz, o Axioma-6.

Não há reparos quanto à qualidade das vozes sintetizadas que fazem o anúncio das notícias: tanto no timbre, quanto na clareza de emissão e pronúncia - e até com laivos de sintética ênfase - o resultado é do melhor que se esperaria. A leitura automática de texto hoje está próxima da perfeição, e não poucos preferem “ouvir” os artigos e até os livros de interesse, enquanto podem manter outra atividade em paralelo. Se isso prejudicaria ou não uma intelecção mais aprofundada, escapa da competência de avaliação por um não-especialista…

Quanto ao lema mercadológico do produto, pessoalmente, eu preferiria receber uma carga de “verdades humanas”, mesmo que colecionadas automaticamente, mas sabe-se lá por que ínvios caminhos da propaganda preferiu-se o chamariz “a verdade não-humana”. O fato é que se trata de uma busca automatizada de notícias que, alegadamente, passariam antes por uma verificação de solidez e pertinência, e de uma editoração não-humana que escolherá a forma e o conjunto a serem propagados.

Nesta fase inicial, o resultado é oferecido apenas em inglês, e ainda não se deu uma eventual personalização do que cada usuário receberá, a partir de algum nebuloso algoritmo de escolha da informação. Mas esta já é mais uma “caixa de pandora” sendo aberta. especificamente na área de jornalismo. A Reuters acaba de divulgar um alentado estudo sobre temas de tecnologia e predições para 2024, que pinta um quadro pouco otimista para a imprensa tradicional, mesmo num ano marcado por eleições em diversos lugares, o que usualmente enseja maior busca por informação. E, com a “verdade não-humana”, pode haver impactos importantes em posições de trabalho na área. Quanto a essa preocupação, um comentário irônico visto na Internet alerta: “não se preocupe tanto em garantir seu emprego: a IA ameça mais o emprego de seu chefe que o seu”…

GPT é o acrônimo de Transformador Generativo Pré-treinado, a tecnologia que tem surpreendido com geração muito boa de texto e um diálogo que até parece consciente. Seu filho mais recente é esse noticiário, com todas as vantages e riscos que a abordagem pode representar. Provocativamente noto que as consoantes “GPT” são as mesmas de Gepeto, o bom velhinho que fabricava marionetes de madeira. Como recordamos da infância, uma das obras de Gepeto, Pinóquio, de alguma forma mágica criou vida… E, para o desespero de seu “pai”, não só Pinóquio se mostrou pouco comportado, como enveredou por contar mentiras, que faziam seu nariz crescer… Talvez seja o caso de acompanharmos o tamanho do “nariz” do GPTnews, a ver se o “filho” do GPT dará indícios de seguir o destino de Pinóquio, o “filho” de Gepeto.

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o newsGPT:
https://newsgpt.ai/

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A análise do Instituto Reuters, citada:
https://reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/journalism-media-and-technology-trends-and-predictions-2024

Um texto de Rodrigo Mesquita no tema:
https://www.linkedin.com/posts/rmesquita_live-breaking-news-from-around-the-word-activity-7150897302067482624-igWr/

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Gepeto e Pinóquio:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pin%C3%B3quio





https://www.youtube.com/watch?v=aewbOlGXv6s

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Quando Geppetto ebbe finito di fargli i piedi, sentì arrivarsi un calcio sulla punta del naso.
— Me lo merito — disse allora fra sè. — Dovevo pensarci prima! Ormai è tardi! —
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terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Gregoriana

O calendário ocidental, reajustado por Gregório XIII em 1582, marca o início de um novo ciclo solar., o ano bissexto de 2024. Esse ajuste foi feito com a exclusão de alguns dos anos bissextos - deixaram de ser bissextos os anos múltiplos de 100, desde que não múltiplos de 400. Para corrigir o erro acumulado, em 1592 a data foi adiantada 13 dias. O fato de Gregório ser papa romano, e ter havido o grande cisma de 1054, fez com que igrejas orientais preferissem manter o calendário anterior, o Juliano, criado por Júlio César em 45 AC. Para os ortodoxos russos, por exemplo, o Natal cai em 7 de janeiro. De qualquer forma há razoável consenso que estamos entrando em 2024 DC - Depois de Cristo (ou 2024 AD - Anno Domini).

E, se tempo encolhe à medida que envelhecemos, isso acontece ainda mais com a velocidade da tecnologia. Como dizia Millor, “o tempo náo existe; só existe o passar do tempo…”.

Estamos em tempos de Internet e de IA, mas isso não nos exime das tradicionais resoluções de ano novo. Uma consulta aos modelos de LLM, como ChatGPT, Bard, PI e outros, pedindo sugestão de resoluções de ano novo mostra respostas muito coerentes e aparentemente bem intencionadas, mesmo repetindo platitudes e obviedades. As IA estão dispostas a não correr riscos com posições polêmicas. Arrisco-me então, com a audácia de alguém que não usa o Waze, a afastar-me do que a IA recomenda em direção a algo mais chão: que tal trazer de volta a responsabilidade aos nossos atos e palavras? A Internet, essa faca de dois gumes, ao mesmo em que estimula a “soltar o verbo” sem peias nem maiores considerações, traz uma ameaças à nossa privacidade e a falsa impressão de anonimato: há a possibilidade praticamente certa de sempre se identificar o originador de uma fala. A internet é uma ˜rede de controle” no sentido em que nada pode ser feito sem que o “lado de lá” o permita ou registre, seja verificando o usuário, seja armazenando o endereço IP. 

Assim, mais que tentar atribuir ao meio a responsabilidade pelo que de bom ou mau acontece, parece muito mais razoável utilizar a característica da rede para responsabilizar cada um pelo que realmente faz ou fala. Repetindo o velho dito de Vint Cerf, a Internet comporta-se como espelho da sociedade e, ao vermos na rede algo que nos desagrada, de nada adiantará quebrar o espelho, ou, à moda do avestruz que enterra a cabeça na areia, ignorar a real causa. Sem dúvida vai haver necessidade de revisão da legislação, mas isso não impede que leis já existentes possam ser aplicadas com foco muito claro no responsável por cada dano, seja ele pessoa física ou jurídica. Tentar impedir que isso ocorra com “medidas sistêmicas” seria o mesmo que impedir violëncia física manietando preventivamente todos os indivíduos…

Os dias de hoje trazem riscos que devem ser reconhecidos e enfrentados. E prá isso precisamos de bom senso e alguma sorte. Como dizia Nelson Rodrigues, “com sorte você atravessa o mundo, sem sorte você não atravessa a rua.”… 

Bom 2024 a todos! 

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Anno Domini:

https://en.wikipedia.org/wiki/Anno_Domini


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Frases de Nelson Rodrigues e de Millôr Fernandes

https://www.pensador.com/nelson_rodrigues/

https://www.pensador.com/millor_fernandes/

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Resoluções de Ano Novo para a Internet, versão do Bard:

=== Claro, aqui estão algumas boas resoluções para a Internet em 2024:

  • Garantir o acesso universal à Internet: A Internet deve ser acessível a todos, independentemente de sua localização, renda ou status social. Isso significa garantir que as pessoas tenham acesso a dispositivos conectados à Internet e a redes de alta velocidade.

  • Melhorar a segurança da Internet: A Internet deve ser um lugaet5r4r seguro para todos. Isso significa proteger os usuários contra ataques cibernéticos, roubo de identidade e outras formas de crime cibernético.

  • Promover a inclusão e a diversidade na Internet: A Internet deve ser um espaço inclusivo e diversificado, onde todos se sintam bem-vindos e representados. Isso significa combater a discriminação e o ódio na Internet.

  • Proteger a privacidade dos usuários: Os usuários da Internet têm o direito de manter sua privacidade. Isso significa proteger os dados pessoais dos usuários contra o uso não autorizado.

  • Promover a responsabilidade na Internet: Os usuários da Internet devem ser responsáveis por suas ações. Isso significa combater a disseminação de desinformação e discurso de ódio na Internet.

Essas são apenas algumas das muitas resoluções que poderiam ser tomadas para melhorar a Internet. É importante que todos os envolvidos na Internet, incluindo governos, empresas e indivíduos, trabalhem juntos para criar uma Internet melhor para todos.

Aqui estão algumas resoluções mais específicas que poderiam ser tomadas em 2024:

  • Investimento em infraestrutura de Internet: Os governos e as empresas devem investir em infraestrutura de Internet, como cabos submarinos e torres de celular, para melhorar a conectividade e reduzir os custos.

  • Desenvolvimento de novas tecnologias: Os governos e as empresas devem investir em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, como redes de quinta geração (5G) e inteligência artificial, para melhorar a capacidade e a eficiência da Internet.

  • Educação sobre segurança cibernética: Os governos e as empresas devem investir em educação sobre segurança cibernética para ajudar os usuários a se protegerem contra ataques cibernéticos.

  • Legislação sobre privacidade: Os governos devem criar leis que protejam a privacidade dos usuários da Internet.

Ao tomar essas resoluções, podemos ajudar a criar uma Internet melhor para todos 

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Resoluções de Ano Novo para a Internet, segundo PI:

=== Aqui vão algumas sugestões de boas resoluções para o uso da Internet em 2024:

  • "Usar a internet de forma responsável, respeitando a privacidade e os direitos das outras pessoas."

  • "Limitar o tempo gasto em redes sociais e procurar manter relacionamentos reais e significativos."

  • "Buscar informação verificada e confiável, evitando desinformação e fake news."

  • "Respeitar e considerar as opiniões diferentes de outros usuários, evitando o preconceito e o ódio."

  • "Promover uma comunidade online saudável e inclusiva, sem hostilidade e com respeito mútuo." 

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Anno Domini:

https://en.wikipedia.org/wiki/Anno_Domini









terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Fênices na tecnologia

É curioso observar, no vórtice de evolução tecnológica em que vivemos, a alternância de tendências e dos modismos. Ao sabor do que é mais impactante mercadologicamente, e qual a mitológica fênix, conceitos algo esquecidos são reciclados e revividos, quando a roda da tecnologia volta a lhes dar fôlego. Inteligência Artificial, em seus quase 70 anos de existência, passou por diversos “invernos” durante os quais sua popularidade caiu, mas hoje, graças às capacidades de processamento e armazenamento, é o tema mais quente. Há que se descontar as extrapolações que, indiscriminadamente, aplicam a etiqueta IA em tudo.

Só pra recordar temas dormentes - mas que podem reviver de um momento a outro - a discretização do digital tem como alternativas computadores analógicos. Do mesmo modo que há espaço para a “lógica difusa” (fuzzy) além da lógica binária fixa. Afinal o cérebro humano tem um funcionamento analógico, mais associado a eventos químicos e elétricos que a eventos binários. Essa era a abordagem das “redes neurais”, ao simularem formas de simulação do aprendizado que acontece com as conexões e sinapses neuronais em nossos miolos.

O maciço poder que a computação tradicional desenvolveu, manteve-a como principal simulador, em lógica discreta, de eventos que seriam mais apropriadamente tratados como analógicos. Mas isso não preclude a cíclica retomada de linhas antes abandonadas ou menos estimuladas. Notícia desta semana, por exemplo, apregoa que um supercomputador, usando redes neurais e a ser lançado em abril do ano que vem, conseguirá atingir a capacidade humana em termos de conexões neuronais. O DeepSouth, em desenvolvimento por equipe australiana e alemã, alega que realizará mais de 200 trilhões de operações sinápticas por segundo, rivalizando com o que o cérebro humano consegue. E há ainda um ponto muito importante nos dias de hoje: o consumo de energia do DeepSouth, por usar plataforma diversa da dos supercomputadores convencionais, deve ser muito menor do que o destes.

Enquanto aguarda-se a comprovação desses números, alguns dos pontos de debate hoje poderão ser recalibrados. Afinal, adotando-se um esquema de rede neuronal com aprendizagem não supervisionada, estamos criando algo que aprende de forma muito próxima à nossa. Revisitaríamos a discussão que temos hoje sobre “ética da IA”? Indo “além das sandálias”, arrisco-me a dizer que é uma saida simplória bradar por ética sem definirmos a priori o que queremos que IA entenda por isso. Arrisco-me a dizer que nós mesmo usamos “ética” como uma platitude que não gerará reação adversa, mas sem nos darmos ao difícil trabalho de definir o que esperamos com isso. Afinal, cada um quer da IA a ética que a ele próprio parecer adequada...

E com isso termina o último texto do ano. Pegando carona com Mário Quintana, “quando se vê, já são seis horas! / quando se vê, já é sexta-feira! / quando se vê, já é Natal.../ quando se vê, já terminou o ano…”. Obrigado, bom Natal a todos, e um excelente 2014!

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O anúncio do DeepSouth:

https://www.westernsydney.edu.au/newscentre/news_centre/more_news_stories/
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Textos sobre 'lógica difusa" e computadores analógicos
https://en.wikipedia.org/wiki/Fuzzy_logic
https://en.wikipedia.org/wiki/Analog_computer
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O poema de Mário Quintana:
https://manoelafonso.com.br/politica/o-tempo-mario-quintana-2/

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é Natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

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Fênix:
https://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A9nix



Imagem da Fénix renascendo, do "Bestiário de Aberdeen"


terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Aprender e Desaprender

As duas vertentes da tecnologia que mais estão em evidência hoje são a IA e a computação quântica. Ambas são intensamente dependentes de recursos e infraestrutura: para que uma aplicação IA funcione, além da programação envolvida – e que hoje, até, pode ser encontrada em forma aberta – é necessário um grande poder computacional e enormes bases de dados que possam servir ao treinamento ou à busca de conclusões. A computação quântica é algo bem mais críptico, exigindo ambiente específicos e muito bem controlado fisicamente. Formas de regulação para ambas estão em intenso debate.

Certamente há muitos pontos de atenção referentes à IA, onde o que se pretende é avaliar e minimizar riscos que os sistemas possam acarretar. Expressões-chave comuns na discussão são “IA centrada no humano”, “IA com base ética”, “IA que não aprofunde vieses e preconceitos”. Especificamente sobre vieses a discussão se intensifica quando envolve “decisões por IA”, como tem ocorrido quando a IA se envolve em processos judiciais e julgamentos. Sua capacidade de digestão da imensa massa de dados, historicamente gerada pelos humanos, torna a IA num auxiliar muito importante para abarcar o que existe. Mas daí a que se respaldem decisões autônomas da IA, vai ainda uma grande distância. 

Ao usar formas de “aprendizagem”, especialmente as não assistidas por humanos, as conclusões a que a máquina chega são, naturalmente, apenas resultantes dos dados que a treinaram. Dados enviesados podem gerar aprendizado vicioso, ou simplemente incompleto. Mas o interessante é que, mesmo com dados neutros, as “decisões” podem ser julgadas inadequadas do ponto de vista humano. Ou seja, pode ser importante introduzir um “vies humano” nas decisões de IA, mesmo quando, em tese, ela está usando bases neutras. Nesse tema, surge hoje é um novo conceito: o de “desaprendizagem” de máquina. Formas de fazer com que determinados aspectos ou conjuntos de dados passem a ser ignorados no processo de aprendizagem - uma espécie de esquecimento seletivo. Vários artigos de conhecidos especialistas na área defendem que, com uma seletiva ação de “desrendizagem” IA poderia geral resultados mais próximos dos objetivos éticos e sociais que se espera, entre eles mais inclusão, justiça e
equidade. O alerta aqui é que se abre uma porta para manipulação eventualmente não controlável do que a ferramenta geraria per se.

Quanto ao tema de legislação, entre as várias propostas que circulam por aí há as que responsabilizariam o desenvolvedor por eventuais danos que a IA gere. Em analogia com outras ferramentas, seria como responsabilizar o inventor do martelo por danos que ele causar. Quem maneja um martelo é que deve assumir a responsabilidade pelo que faz. O martelo em sí não é ético nem aético.

São decisões complexas, e devemos ter cautela nos passos a dar. Os “apocalípticos” citariam Heidegger, que era bastante crítico quanto aos efeitos da tecnologia nos humanos. Em em sua última entrevista (1966), ele fecha com: “...só um deus poderá nos salvar!”



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texto sobre tecnologia e filosofia:
https://www.sfu.ca/~andrewf/books/Essentialism_Constructivism_Philosophy_Technology_Crossroads.pdf

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Sobre "desaprendizado":

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa-aao/desaprender



terça-feira, 21 de novembro de 2023

E agora, José?

Qual o melhor nome de domínio na Internet para que José, de forma perene e segura, exponha suas idéias, arquive fotos e momentos importantes da vida, seja encontrável pelos seus amigos? Já foi tópico quente na rede a discussão sobre a melhor forma de se manter uma identidade. E, claro, a primeira idéia era que “quanto mais curto o identificador, melhor!”. No caso, nosso José podia ter conseguido o jo.se, que existe e funciona normalmente. Ou o ze.ca, que também existe. Como ambos já foram delegados há tempos, resta buscar alternativas, mas antes seria útil pensar no que tornaria um nome melhor ou pior.

O primeiro ponto a considerar é a garantia de sua continuidade… Se José escolhar ancorar suaidentidade numa rede numa rede social de que participa, armazenando lá suas informações, formas de contacto, atividades, discussões, é preciso lembrar que a perenidade dependerá da sobrevida da rede social em questão. Muitas delas sumiram ou trocaram de nome com o tempo, levando junto a forma de localização de seus moradores. Se José tivesse concentrado seus dados e forma de identificação em plataformas como o Orkut, o MySpace e outras,certamente teria que retomar o trabalho.

Outro ponto - que ficou menos relevante com as ferramentas de busca e todos os recursos de associação de nomes – é o tamanho do nome. Aliás, uma das primeiras ferramentas de busca já ostentava um nome não muito curto: altavista.com.

Por fim há que examinar características do domínio sob o qual José criará sua identificação: como registar e manter o nome, de que conceito aquele domínio de topo goza na rede e, finalmente, decidir onde hospedará o conteúdo. Há semântica envolvida na escolha do sobrenome. Nos exemplos citados, o “se” do jo.se é Suécia, enquanto o “ca” de ze.ca é Canadá, ambos códigos de país. Na variedade de “domínios genéricos” há também um extenso leque de escolhas, começando pelos tradicionais .com, .net, .org. Quando ao custo, há registros gratuitos (como .tk, Tokelau) que buscam outros modelos de remuneração, e os com pagamento anual. É importante evitar os que tem fama de hospedar atividades maliciosas – consultem-se listas com os domínios mais usados pelos mal-intencionados. É bom também examinar se o domínio é aberto para registro por todos, ou se é restrito a registrantes de uma região. O .br, por exemplo, exige CPF ou CNPJ, o que garante que qualquer litígio será resolvível no país. Se optar pelo .br, José poderia escolher dentre as opções que existem, como josé.art.br, josé.eco.br, etc, a que lhe parecer mais adequada. E poderá usar o acento no nome, dado que no .br caracteres acentuados são possíveis também em nome de domínio.

Nomes são importantes e perduram. Em O Nome da Rosa, Umberto Eco encerra com “stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus” – “da rosa original resta apenas o nome, nada mais”


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"E agora, José", Carlos Drummond de Andrade:
https://coletivolirico.com.br/e-agora-jose-de-carlos-drummond-de-andrade/

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
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Uma das listas de domínios pouco seguros:
https://trends.netcraft.com/cybercrime/tlds

Cybercrime on Top Level Domains:
Top 50 TLDs with the highest cybercrime incidents to active sites ratio
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"O Nome da Rosa", Umberto Eco
https://it.wikipedia.org/wiki/Stat_rosa_pristina_nomine,_nomina_nuda_tenemus
"Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus"
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