Há basicamente dois tipos de domínios de topo (TLD) na Internet. Os genéricos (gTLD), criados por ação da ICANN e que operam sob contrato, e os de código de país (ccTLD), cuja origem antecede a criação da própria ICANN e definidos numa tabela de 249 siglas mantida pela ISO-3166. Os domínios de código de país também tem relação mútua com ICANN, dado que é ela que mantem a raíz de nomes, mas não operam sob contrato e tem regras próprias de registro. Como exemplo, o nosso .br, que nos foi delegado em 18 de abril de 1989 e opera observando os padrões técnicos da Internet, só aceita pedidos de registro cujos titulares tenham CPF ou CNPJ. Com isso, qualquer pendência jurídica sobre eventuais "direitos a um nome" sob o .br será resolvida internamente, no país. Comparativamente, os gTLDs são abertos a postulantes de qualquer lugar do mundo. Assim, a ICANN define que, em caso de pendência sobre direitos ao nome, a OMPI (Organização Mundial de Propriedade Industrial - WIPO) em Genebra será o arbitro.
Números mostram que, das 1615 propostas recebidas, 864 vieram da América do Norte e 506 da Europa, sendo apenas 11 as com origem América Latina e Caribe... Que indicaria isso? Dado que iniciativa de ter um gTLD envolve um modelo de negócio, parece claro que há menos interesse regional para operar nesse segmento. Uma leitura, talvez algo vaidosa, seria associar o baixo interesse ao fato de haver boa solução local, que atende adequadamente as necessidades de preservação da identidade do usuário na Internet, a um custo muito baixo e com segurança reforçada. De fato se olharmos os 10 TLD mais citados como fontes de insegurança, veremos que são todos gTLDs. Os ccTLD são, em geral, pouco geradores de ataques e, entre os que lideram a lista de mais seguros, consta o .br.
Assim, o resumo da ópera é que não devemos esperar por aqui nenhuma revolução na área de nomes de domínio com a chegada dos novos gTLDs. Aliás, a primeira leva deles, em 2012, pouco impacto causou em nosso cenário.
Prá terminar com um toque ufanista, acabamos de comemorar o atingimento de 6 milhões de domínios sob o .br. Estamos num ano excepcional em termos de crescimento, não obstante as possíveis ameaças que vem da expansão de hospedagem em plataformas e da IA. Afinal nada substitui ter uma identidade estável e sob controle do usuário. Talvez o apanágio mais forte do .br, além de manter o mesmo custo anual do registro nos últimos 10 anos, é que não mudou em nada seus princípios, agregando também redirecionamento e segurança. Com o seu segundo nível fechado, o .br preserva a semântica e a diversidade. Isso faz com que gov.br tenha características de registro muito diferentes de, por exemplo, adv.br, ou de org.br. Como diria o Dr. Spock em Jornada nas Estrelas, "vida longa e próspera ao .br!"
===ICANN87:
333 brand applications
16 community-based applications
15 self-identified geographic name applications
51 applications submitted by Applicant Support Program applicants
16 applications from Africa
218 applications from Asia/Australia/Pacific
506 applications from Europe
11 applications from Latin America and the Caribbean
864 applications from North America
1 applications for Internationalized Domain Names
9 applications for variants. This is when an applicant applies for a string that has other forms in different scripts such as Arabic or Chinese.




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